SAD despapelado

Quando paramos para o ouvir percebemos que era evidente a necessidade de mudança.Tudo começou com um sentimento de angústia que não queria calar. E então começamos a mudar. Podiam ser mais ou menos assim resumidos os últimos meses no Serviço de Apoio Domiciliário do Abrigo, uma verdadeira odisseia que trouxe várias revoluções…a adesão às tecnologias foi a que mais recentemente completámos. E até ver, está a correr muito bem. Quem diria?

Pode parecer estranho à primeira vista. De início também levantámos o sobrolho em jeito de desconfiança porque a leveza de largar papel e caneta é daquelas “modernices” que não contagia a todos. Então se estivermos a falar de cuidar de pessoas idosas, nas suas casas, pode até aparentar não fazer sentido algum. Mas faz. Muito sentido e toda a diferença. Pouco a pouco o sobrolho levantado foi dando lugar à testa franzida, assim em modo “deixa lá ver como é que isto funciona”. O que aconteceu depois foram só as descobertas de um maravilhoso mundo novo: contactos, informações, dados, registos, fotografias! Tudo a circular diariamente pelas ruas e pelas casas das pessoas de quem cuidamos. Tudo disponível em tempo real, que é o tempo em que a vida deve ser vivida.

Portanto, não há nada de errado. Em vez de papel, usamos os tablets como instrumentos de trabalho, todos os dias. Discretamente cumprem um papel importante em tudo o que fazemos. Com a sua ajuda, estamos a reunir dados importantes sobre a intervenção que desenvolvemos, enquanto poupamos tempo no momento de parar para os analisar.

Tempo para as pessoas.
Se mais não fosse, só por isso já tinha valido a pena.

Uma vez por ano, todos juntos fazemos algo diferente. Este ano, fomos conhecer o Palácio da Bolsa do Porto, sede e propriedade da Câmara de Comércio e Indústria do Porto.

As palavras são poucas para descrever a beleza e grandiosidade do Palácio. As fotografias também não chegam para ilustrar os inúmeros e magníficos pormenores talhados naquele edifício ao longo de décadas. Desta experiência, em que as pessoas que trabalham no Abrigo foram de comboio rumo ao Porto, ficam boas memórias e boas aprendizagens. No Palácio da Bolsa muitos são os símbolos relacionados com o trabalho, com a transformação humana da natureza, com a atividade económica. No lema da Associação Comercial do Porto "Labor et Libertas Urgent Nos", que traduzido de forma livre quer dizer algo como "o trabalho e a liberdade preocupam-nos" e na importância atribuída aos detalhes, aos pormenores e aos pequenos gestos do dia-a-dia, encontramos inspiração para a nossa casa e para o nosso Cuidar com o Coração®.

É importante colocar em perspetiva aquilo que fazemos no nosso dia a dia. É bom encontrar pontos em comum com outras realidades. A beleza e grandiosidade do edifício do Palácio da Bolsa é a constatação de que é possível construir algo que perdure séculos, que geração após geração seja, coletivamente, admirada e reconhecida, como uma obra de arte que honra o seu criador séculos depois. Com esta experiência percebemos que a rapidez não é uma qualidade quando se pretende construir algo belo e eterno. Com esta experiência reconhecemos que o que é importante, o que permanece, o que fica para a história, na arte como na vida, demora o seu tempo. Tal como quando se cuida de pessoas. Criar relações e construir laços de afeto só é possível com tempo, minúcia, arte, resiliência e amor.

 

Tempo de Preparação: 1 ano
Pronto em: 55 Minutos
Dificuldade: Difícil

II - Sachar

A informação era fidedigna e é um facto que as sementes pegaram. 

Já passou mais ou menos um mês desde que semeamos e, felizmente o tempo deixou-nos sair para ir sachar o milho. Sachar é um trabalho duro mas, é fundamental para que as culturas cresçam sem serem impedidas pelas ervas. Este é o tempo de arrendar e mondar para o milho crescer à vontade, alargar e poder engrossar. Nas famosas sachadas todos se ajudavam, os vizinhos e os amigos faziam trocas, hoje iam sachar o campo de um, noutro dia o campo do outro e assim sucessivamente, o espírito de interajuda era um valor enraizado nas comunidades. Felizmente, o espírito de interajuda não morreu. Graças a uma ajuda preciosa, conseguimos fazer os regos para a água correr e assim regar o milho, essencial nesta época do ano.

Mais notícias em breve!

 

Nós não esquecemos as crianças de quem cuidamos e há recordações que ficam para sempre. Acreditamos que os pais também nunca se esquecerão da casa e das pessoas que cuidaram do seu filho num momento tão importante das suas vidas. Mesmo que as crianças que saem da creche não se recordem especificamente de quem cuidava delas e do que faziam na creche, sabemos que perdura para sempre a memória do amor e carinho no cuidado que receberam. Por isso, gostamos de receber convidados especiais. São convidados porque já não frequentam a nossa creche desde o ano passado. E são especiais porque são os "nossos" meninos.

É com emoção que os vemos brincar e é engraçado perceber que os brinquedos da creche continuam, de alguma forma, a ter magia. Os abraços que recebemos já são mais fortes, as mãos maiores e sim, estão muito altos! É sempre bom voltar a um sítio onde fomos felizes.

 

O VIII Seminário de Gerontologia Social foi organizado pela Faculdade de Ciências Sociais, Educação e Administração da Universidade Lusófona. 

Foi com orgulho e satisfação que aceitamos o convite para partilhar a nossa experiência, no âmbito do trabalho desenvolvido na estrutura residencial para pessoas idosas, nomeadamente as evidências da implementação da filosofia Humanitude no nosso dia a dia.

Partilhamos uma reflexão sobre os nossos sonhos, as nossas dificuldades e o que sabemos hoje ser necessário para sermos "super heróis" dos cuidados, todos os dias, sem exceção. A filosofia Humanitude transformou radicalmente o nosso processo de tomada de decisão e o nosso comportamento na relação com as pessoas. Hoje sabemos que é necessário muito trabalho e treino para profissionalizar o cuidar. "Porque nós não queremos fazer grandes coisas, queremos pequenas coisas feitas com muito amor."

 

Com base na nossa experiência, sabemos que a atuação em situação de emergência só é verdadeiramente percebida pelas pessoas quando estas têm a possibilidade de a experienciar na prática. É como dizia o sábio: Não ter ouvido não é tão bom como tendo ouvido; tendo ouvido não é tão bom quanto ter visto; tendo visto não é tão bom quanto saber; sabendo não é tão bom como colocá-lo em prática. Ou por outras palavras, diz-me e eu esqueço, mostra-me e eu lembro-me, deixa-me fazer e eu compreendo.

Com uma experiência de exercício de simulacro externo tão bem sucedida como a do ano anterior, foi muito claro para nós que era importante contar novamente com o apoio de entidades externas. E assim fizemos: Planeamos e preparamos a equipa para aquele momento em que a sirene da central ia disparar, repetimos a boa prática de avisar a comunidade à nossa volta, voltamos a fazer formação interna sobre como ligar e desligar equipamentos, quadros elétricos, gás e tudo o resto.

A verdade é que, quando planeamos, procuramos prever todas as situações possíveis e imaginárias, tomamos decisões e fazemos escolhas. Mas, depois acontece-nos a vida. Por isso, este exercício de simulacro foi completamente diferente do anterior e, mais uma vez, constituiu uma excelente oportunidade de aprendizagem para nós. Porque cometemos erros daqueles que numa situação real teriam dificultado a atuação das equipas de socorro. Para aprender é preciso estar preparado para errar. Pela oportunidade de aprendizagem que nos proporciaram, pela colaboração e disponibilidade agradecemos aos Bombeiros Voluntários de Santa Maria da Feira, à Proteção Civil e ao Destacamento Territorial da Guarda Nacional Republicana de Santa Maria da Feira. Esperamos ver-vos só para o ano!

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