A Humanitude é transformadora na forma como olhamos para o outro, para o nosso trabalho e para nós próprios.

Quando a formação termina temos uma certeza: é impossível continuar a fazer como fazíamos. E fazer diferente torna-se uma urgência. Sabemos por experiência própria que esta certeza gera angústia e desorientação porque não sabemos por onde começar.

No Abrigo, o percurso que efetuamos foi assente na melhoria continua, na construção de instrumentos e na monitorização do nosso desempenho.

Para quem ainda está a começar, e depois da formação inicial, o mergulho em Unidade Humanitude no Abrigo permite conhecer os princípios da filosofia incorporados na organização e funcionamento, permite a observação das práticas e o conhecimento dos instrumentos de trabalho que foram construídos para dar corpo à prestação de cuidados em Humanitude. 

Queremos agradecer à Santa Casa da Misericórdia da Trofa por acreditar que conhecer a experiência do Abrigo poderia ser uma oportunidade de aprendizagem. Esperamos que os dias de trabalho em conjunto tenham sido inspiradores e úteis para a construção do vosso caminho em Humanitude.

Em conformidade com as disposições legais aplicáveis e os estatutos da associação, convoco todos os sócios para se reunirem em Assembleia Geral, que terá lugar na sede da associação, sita na rua da estação 541 4520-618 São João de Vêr, pelas 20h30m do dia 16 de Abril de 2018 com a seguinte ordem de trabalhos: 

  1. Informações da Direção;
  2. Leitura do parecer do conselho fiscal sobre o relatório e contas do ano de 2017;
  3. Apreciação e votação do relatório e contas do ano 2017;
  4. Outros assuntos de interesse para a associação. 

Se à hora indicada não houver quórum, a Assembleia terá inicio 30 minutos depois no mesmo local, com qualquer número de sócios e a mesma ordem de trabalhos. 

São João de Vêr, 23 de Março de 2018
O Presidente da Assembleia Geral
Eng.º José Fernandes de Oliveira

Para consultar os documentos em discussão na assembleia, Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar..

agostinho roseta

Apreciada a candidatura do Abrigo ao prémio Agostinho Roseta, com o projeto “Cuidar de pessoas Idosas em Humanitude”, venho por este meio informar V. Exa. que o Júri do Prémio, considerou este projeto o que reunia mais condições para a atribuição do Prémio na categoria de Boas Práticas referente à 9ª edição.

O Prémio Agostinho Roseta é um testemunho de apreço e uma forma pública e solene de homenagear as pessoas singulares e coletivas que, em cada ano, mais se tenham distinguido na implementação e difusão de boas práticas em domínios relevantes para a melhoria e dignificação do trabalho, e das condições em que é prestado, e para o incremento do diálogo social, ou na realização de estudos e trabalhos de investigação sobre estas matérias. Com a candidatura “Cuidar de pessoas idosas em Humanitude”, O Abrigo demonstrou o impacto da implementação da filosofia Humanitude e da metodologia Gineste-Marescotti nos profissionais que cuidam. Este impacto traduz-se em benefícios nas relações laborais e na melhoria da dignificação das condições em que o trabalho é prestado.

A atribuição deste prémio é motivo de grande orgulho. Este reconhecimento público traz-nos alento para continuar a reforçar os princípios da Humanitude enquanto ferramenta que permite não só a melhoria da prestação dos cuidados, mas também o desenvolvimento das competências profissionais, relacionais e pessoais necessárias ao desempenho de excelência dos cuidadores.E porque os prémios são feitos de pessoas, muito, muito obrigada:

ao Instituto Gineste-Marescotti Portugal que, indiscutivelmente transformou a forma como cuidamos de pessoas;
à equipa de trabalho do Abrigo que diariamente dá o seu melhor;
à Direção do Abrigo que acreditou ser possível fazer melhor e fazer diferente.

E porque há mensagens que nos deixam mesmo felizes, aqui fica o registo: “A vossa equipa está de parabéns… pela VIDA, por CUIDAR COM O CORAÇÃO. Não há melhor perfume… Um abraço”

 

Faça chuva ou sol

 

No Abrigo cuidamos de pessoas todos os dias. Algumas estão na nossa casa, que também é delas, pelo menos uma parte do dia. Mas muitas continuam a viver nas suas casas, que sentimos também um bocadinho nossas de cada vez que nos abrem a porta e entramos com o cheirinho e o sabor que levamos da nossa cozinha.

Distribuir refeições no serviço de apoio domiciliário é como ter, todos os dias, muitos encontros marcados, com muitas pessoas especiais. Seguir percursos que nos levam a ver quem sabemos que nos espera, aconteça o que acontecer.

Quem nos recebe com um sorriso e um abraço, quem nos diz quase sempre que está tudo como de costume mas nos pede um conselho numa hora de aflição. Quem reclama se chegamos mais tarde assim como que a dizer que estava preocupado. Quem nos deseja boa viagem de regresso e nos recomenda que vamos com cuidado.

Há qualquer coisa de familiar em ir a casa levar as refeições. Conhecer os cantos e os canteiros, saber a que porta bater ou que campainha tocar, responder ao gato ou ao cão, pedir licença a quem é de casa para entrar e fechar o portão ao sair. Saber que há dias alegres em que canta a televisão, outros em que se quer comentar a notícia da terra que saiu no jornal. Respeitar o silêncio se entramos na horar de rezar, deixar o almoço no sítio combinado com quem saiu para o encontrar quando voltar.

Para distribuir refeições no serviço de apoio domiciliário são vários os rostos que saem todos os dias, faça chuva ou sol, no calor do meio-dia ou ao cair da noite fria. Uma equipa que aprendeu a esperar também, com carinho e alegria, esse momento do encontro em cada casa, pelas ruas e caminhos de São João de Ver.

ganhar a vida a cuidar

 

Dizem que, no futuro, as máquinas vão fazer todo o trabalho por nós. Mas, há trabalhos e trabalhos.

Para cuidar de pessoas é preciso ternura. Haverá algum dia alguma máquina que consiga cuidar de um ser humano com ternura?

No Abrigo, ganhamos a vida a cuidar de pessoas. Esta é uma afirmação com vários sentidos. Sim, ganhamos a vida no sentido económico da afirmação. Sim, ganhamos a vida porque conquistamos olhos nos olhos as vidas de quem cuidamos. Sim, ganhamos a vida a construir o mundo que queremos para amanhã, onde as relações entre as pessoas nunca deixarão de ser mais importantes que todas as máquinas que façam o trabalho por nós.

Não é que não gostemos de máquinas. Gostamos bastante da ajuda delas para ganharmos a vida. Usamos as máquinas para planear, para registar, para analisar e assim, enquanto as máquinas não param de contar horas em tempo de fazer, nós ganhamos a vida a contar o tempo em horas de sentir e de estar.

Não é que não gostemos de máquinas. Mas gostamos mesmo muito de pessoas e de cuidar de pessoas. No tempo de contar a vida do Abrigo cabem abraços e sorrisos tanto quanto testas franzidas e narizes torcidos. Há olhares que falam, gestos que pedem, palavras que tocam e passos que revelam. Há pessoas e animais. As gargalhadas conversam com os silêncios. Os cheiros brincam às memórias. Nuns dias faz-se batota para alimentar o espírito do corpo, noutros arranja-se festa para dar corpo ao espírito. A idade é só um número e tantas, tantas histórias, mas às vezes, também pode ser um número diferente a cada momento, sempre na mesma história.

As pessoas de quem cuidamos todos os dias cuidam sempre um bocadinho de nós e ajudam-nos a sermos pessoas melhores a cuidar de pessoas. Ensinam-nos que cuidar é nunca chegar ao fim, é permanecer mesmo quando o fim chegou.

Para cuidar de pessoas com ternura são precisas pessoas. Haverá algum dia alguma máquina que consiga ser uma pessoa?

Filosofia Humanitude no ISSSP

No âmbito da disciplina de Avaliação da Qualidade de Residências e Serviços Sociais para Idosos do mestrado em Gerontologia Social, o Instituto Superior de Serviço Social do Porto (ISSSP) organizou o seminário Filosofia Humanitude - estudo de caso.

Cinco anos após o início do funcionamento do Porto de Abrigo, é um orgulho sermos convidados para partilhar a nossa experiência como Unidade Humanitude. Ter a possibilidade de contar a nossa história, as nossas conquistas e falar sobre as nossas práticas em contexto académico é semear nos profissionais de amanhã o desafio de cuidar em ternura. 

Esperamos ter contribuido para inspirar os dias de quem vê beleza no cuidar.

O nosso coração ficou cheio com o entusiasmo do auditório! 

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