até sempre

Os dias são todos iguais: manhã, tarde e noite, pequeno almoço, almoço e jantar.
Ainda assim, os momentos que marcam o correr dos dias, que marcam a consistência do tempo que passa, deixam espaço a que a vida aconteça.
É por isso que, apesar de tudo, os dias são todos diferentes.

Há dias em que devia ser possível parar. Mas, as regras não são essas. Não dá para parar. O que não quer dizer que não se sinta dor, saudade e tristeza.

Janeiro ainda não acabou no Abrigo e já morreram quatro pessoas. É normal, é a vida. O tempo não pára e a vida vai correndo. Pequeno almoço, almoço, jantar.

No Porto de Abrigo, a fotografia em cima da cama. A jarra com uma flor. A cama feita de forma especial.
São pequenos gestos para quem fica. Para quem não se pode dar ao luxo de parar. São gestos pequenos que convidam a fechar os olhos ainda acordado, nem que seja um instante.

Temos sorte, temos muita sorte. As pessoas que passam por nós deixam-nos um pouco de si, da sua história. É uma honra para nós poder fazer parte da vida de tantas famílias.

Aqui somos uns dos outros. Mesmo quando ficamos sozinhos, com os olhos fechados nem que seja por um instante. Para dizer adeus. Até sempre.

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