Na creche do Abrigo, as nossas educadoras são especialistas na metodologia de trabalho de projeto. De uma forma simples, de acordo com a Direção Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular, a metodologia de trabalho de projeto é uma abordagem pedagógica centrada em problemas, ou um estudo em profundidade sobre determinado tema ou tópico (Katz e Chard, 1989). Como todas as metodologias, esta segue etapas e a primeira fase é a da definição do problema: formula-se o problema ou as questões a investigar, definem-se as dificuldades a resolver, o assunto a estudar.

Esta semana, as 18 crianças com idades compreendidas entre os 1 e 2 anos estiveram a estudar em profundidade as frutas. Tudo começou à hora de almoço e com a sobremesa: banana! É uma palavra que todos conseguem dizer e que a dada altura servia para designar todos os frutos, independentemente de serem ou não banana.

Depois da fase de planificação e definição dos objetivos, a fase da execução começou e as crianças partiram para o processo de pesquisa através de experiências diretas: com a identificação das frutas que temos na fruteira. Com um jogo de imagens reais e frutas reais. Inteiras e cortadas. Olhamos por fora e vimos por dentro. Sentimos o cheiro. E claro que provámos. E no fim, com um pouco de canela tão característica do Outono, fizemos um bolo de maça. Finalmente, contámos tudo aos pais no blog da creche. E aqui também.

Porque o que fazemos bem, tem mesmo de ser partilhado!

 

Nós não esquecemos as crianças de quem cuidamos e há recordações que ficam para sempre. Acreditamos que os pais também nunca se esquecerão da casa e das pessoas que cuidaram do seu filho num momento tão importante das suas vidas. Mesmo que as crianças que saem da creche não se recordem especificamente de quem cuidava delas e do que faziam na creche, sabemos que perdura para sempre a memória do amor e carinho no cuidado que receberam. Por isso, gostamos de receber convidados especiais. São convidados porque já não frequentam a nossa creche desde o ano passado. E são especiais porque são os "nossos" meninos.

É com emoção que os vemos brincar e é engraçado perceber que os brinquedos da creche continuam, de alguma forma, a ter magia. Os abraços que recebemos já são mais fortes, as mãos maiores e sim, estão muito altos! É sempre bom voltar a um sítio onde fomos felizes.

sinapses de amor

  • O Abrigo
  • creche

No Abrigo, acreditamos que cuidar de pessoas só é possível com amor e, a nossa equipa da creche, reconhece que o grande privilégio de cuidar de crianças pequenas é exatamente o amor que recebe por todo o amor que dá. No Abrigo, também sabemos que para cuidar de pessoas, é necessário deter conhecimentos técnicos, é necessário aplicar metodologias e é necessário acompanhar a evolução do conhecimento, da investigação e da ciência. Acreditamos que seja comum aos profissionais que gostam da sua atividade profissional, a vontade de aprender mais e de conhecer novas realidades. Deixar o "conforto" da nossa rotina, do nosso dia-a-dia, deixar o nosso trabalho quando o que temos para fazer é muito importante e não pode esperar... é difícil. E então, nem sempre saímos e ficamos presos ao que nos é familiar.

Felizmente, a nossa equipa técnica mantém a capacidade de se desafiar a si própria e de querer sair para o mundo disposta a aprender. Felizmente, há pessoas inspiradoras, capazes de partilhar o seu conhecimento e criar experiências de aprendizagem únicas. Foi o que aconteceu no Love Synapses - Building strong children, families and communities. Valeu a pena a equipa técnica da creche sair de casa, conhecer a fundação Brazelton/Gomes-Pedro e ouvir pessoas que, ao falar de amor e sinapses, reforçaram a nossa confiança na metodologia que escolhemos para cuidar de crianças pequenas em creche. E, principalmente, inspiraram-nos para fazermos sempre o melhor na grande responsabilidade que é contribuir para o futuro da humanidade. Sentimos muito orgulho na equipa da creche, uma equipa com sonhos na alma, que continua a ter a capacidade de querer aprender para fazer sempre melhor.

fazer de conta é brincar a sério

  • O Abrigo
  • creche

 

Como fazer com que uma criança aprenda e adote um determinado hábito? Um daqueles hábitos que fazem parte de uma rotina tão sistematizada que ninguém se lembra de como o adquiriu… A criança precisa de lavar os dentes, e agora? Vai havendo tentativas: mas ela não abre a boca, trinca a escova, engole a pasta, engasga-se. Os relatos são variados.

Na creche procuramos sempre ajudar e então, desafiamos a criança de forma a motivá-la para o assunto. Uma vez tornado num interesse tudo foi mais fácil. A criança quis saber, quis aprender, quis experimentar… tornou-se a protagonista no desenvolvimento do seu próprio conhecimento. Ao que parece, deixá-la agir por si própria aumenta a sua autoestima e a sua autoconfiança. É fundamental encarar a criança como competente. Como? Dando-lhe autonomia. Fazendo com que se sinta crescida. Fazendo-a aprender a aprender.

Na nossa creche, desafiar a criança é possível com novidades e objetos outrora do mundo do “não se mexe”: Pasta? Vamos abrir para ver? Várias cores, cheiros… Posso mexer? Desafiar a criança é possível se lhe dermos espaço para ela voar! Parece difícil? Para o adulto, talvez. Para uma criança isso é muito fácil: basta usar a imaginação. E com a imaginação ela voa.

Fazer de conta é brincar a sério… e brincar – já diria alguém – é o que de mais sério as crianças fazem (Manuel Sarmento). Elas aprendem a relacionar-se com os outros, a partilhar, a exteriorizar ideias e sentimentos, a adquirir conhecimentos. Na creche, as crianças brincam com muito gosto! Fazem de conta muitas coisas! Fizeram de conta que os bebés (faz-de-conta) já nascem com dentes e por isso têm de os ajudar a tratar deles: copo, escova, pasta, água, em cima, em baixo, de um lado, do outro, à frente, atrás…

E a brincar a sério… já todas aprenderam a lavar os seus próprios dentes. Por vezes ainda se engasgam, e comem pasta é verdade … mas a cada dia que passa (por tentativa erro) tudo melhora. Já sabem tomar um pouco mais conta de si, precisam de lavar mais vezes os dentes aos bebés do faz-de-conta claro está, mas aos poucos vão conhecendo melhor o seu mundo. E assim, a brincar e a fazer de conta a criança cresce e aprende… a sério!

emoção na despedida

  • O Abrigo
  • creche

Era uma vez uma casinha amarela, rodeada por jardins e flores coloridas. Lá de dentro vêm cheiros incríveis: de roupinha acabada de lavar, de sopa fresquinha... e os barulhos? Ouvem-se risos de crianças, músicas de encantar, às vezes até parece que ouvimos o barulho de brinquedos... será possível? Acredita, são barulhos e cheiros que nos hipnotizam e nos fazem imaginar o que haverá lá dentro...

Eu tenho duas amigas muitos especiais: a Noki e a Magui que já entraram lá dentro e contaram-me tudo!

Elas dizem que quando entras lá lançam-te pozinhos de perlimpimpim e entras num mundo de fantasia. Que existem fadas vestidas de branco por todo o lado e que há uns ajudantes muito velhinhos que ficam a aquecer a casinha.

Contaram-me que na entrada desta casinha está uma senhora escondida numa toca cheia de televisões e papéis. É a fada Luísa que tem um sorriso que nos arrebata o coração! Dizem que ela às vezes também fala ao telefone e tem uma voz tão meiguinha que não nos deixa desligar!

E a outra? Uma menina de olhos claros e sorriso rasgado que parece que se chama Laura. Essa fada também tem uma toca especial mas, lá não existe tempo: ela recebe-te sempre! Dizem que é alegre e nunca mas, nunca te ralha! As minhas amigas contaram-me que quando deixam entrar lá crescidos, ela fala com eles e depois eles ficam sem vontade de ir embora...

Nesta casinha há quatro salas de ajudantes e, quanto mais tempo eles ficarem na casinha amarela, mais especiais eles ficam.

A primeira sala, eles ainda estão a aprender os truques, é uma sala onde estão só ajudantes muito pequeninos... lá tem umas fadas que lhes dão de comer e lhe cantam músicas de embalar e, depois, eles dormem aconchegados em berços muito muito pequeninos, como se fossem os colinhos das mamãs.

Na outra sala estão ajudantes um bocadinho maiores que já aprenderam alguns truques: comem sozinhos, já caminham mas, atenção! Não podes olhar muito para eles porque senão hipnotizam-te com o seu sorriso e depois não consegues sair mais de lá!

Depois nas outras salas estão os ajudantes que já sabem os truques todos! Lá é onde estão as fadas mais experientes, aquelas que sabem músicas de fantasia, que têm caixas cheias de magia, fatos e jogos que fazem os melhores ajudantes de sempre.

Há lá duas muito especiais: uma é muito baixinha... se não tiveres atenção podes confundi-la com um dos ajudantes! Tem olhos claros e está sempre sorridente, sabe todas as músicas do mundo e receitas de bolos que te deixam enfeitiçado. A minha amiga disse que ela se chama Bibiana! A outra, a Sofia, é mais alta mas, também é muito sorridente. A magia dela é com as palavras, sabe sempre o que te dizer para te convencer a ficares mais um bocadinho na casinha.

Desta sala saem ajudantes muito bons, que sabem muitos feitiços: como conseguir que um adulto cheio de pressa o leve ao parque; como convencer os adultos mais crescidos (acho que se chamam avós) a levarem tudo para a escola; como sorrir para conseguir mais uma bolacha... estes ajudantes têm um super truque! Eles sabem contar histórias e, com estas histórias tu não consegues deixar de gostar da casinha amarela. 

Eles fazem-te acreditar que aquilo é um lar cheio de magia em que os crescidos também são pequeninos e tudo é uma brincadeira. Fazem-te acreditar que são todos uma grande família com irmãos, primos, netos, pais onde há espaço para receber mais um; que aquilo é parecido com a casa onde está a tua outra família; que lá se formam ajudantes que podem não saber todas as letras, nem todos os números mas, que com certeza vão ser muito mimados; que lá ensinam-te a aprecisar as coisas mais simples da vida e que lhes dão aquilo que os papás deles mais desejam: fazem-nos felizes!

Vitória vitória... acabou-se a história!

A toda a equipa do Abrigo um muito obrigada por me ajudarem com os meus tesouros!

Esta foi a mensagem que a Cristina e o Hugo, pais da Leonor e da Margarida Fardilha, nos deixaram no último dia em que a Margarida frequentou a nossa creche. De coração partido, ficamos de coração cheio!

2018 | O Abrigo - Centro de Solidariedade Social de São João de Ver
Todos os direitos reservados. | Política de privacidade
Livro de reclamações online