Faça chuva ou sol

 

No Abrigo cuidamos de pessoas todos os dias. Algumas estão na nossa casa, que também é delas, pelo menos uma parte do dia. Mas muitas continuam a viver nas suas casas, que sentimos também um bocadinho nossas de cada vez que nos abrem a porta e entramos com o cheirinho e o sabor que levamos da nossa cozinha.

Distribuir refeições no serviço de apoio domiciliário é como ter, todos os dias, muitos encontros marcados, com muitas pessoas especiais. Seguir percursos que nos levam a ver quem sabemos que nos espera, aconteça o que acontecer.

Quem nos recebe com um sorriso e um abraço, quem nos diz quase sempre que está tudo como de costume mas nos pede um conselho numa hora de aflição. Quem reclama se chegamos mais tarde assim como que a dizer que estava preocupado. Quem nos deseja boa viagem de regresso e nos recomenda que vamos com cuidado.

Há qualquer coisa de familiar em ir a casa levar as refeições. Conhecer os cantos e os canteiros, saber a que porta bater ou que campainha tocar, responder ao gato ou ao cão, pedir licença a quem é de casa para entrar e fechar o portão ao sair. Saber que há dias alegres em que canta a televisão, outros em que se quer comentar a notícia da terra que saiu no jornal. Respeitar o silêncio se entramos na horar de rezar, deixar o almoço no sítio combinado com quem saiu para o encontrar quando voltar.

Para distribuir refeições no serviço de apoio domiciliário são vários os rostos que saem todos os dias, faça chuva ou sol, no calor do meio-dia ou ao cair da noite fria. Uma equipa que aprendeu a esperar também, com carinho e alegria, esse momento do encontro em cada casa, pelas ruas e caminhos de São João de Ver.

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